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H - mudo e aspirado

zanitti
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Tem alguma regra para se saber quando o H é mudo ou aspirado? Pois vi que quando o H é aspirado, ele não pode fazer "liason". Por exemplo, se "homme" tivesse o H aspirado nós não poderíamos escrever "l'homme" e sim deveria escrever "le homme".

3 anos atrás

1 Comentário


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  1. O “H” em início de palavras O ‘h’ inicial pode ser mudo ou aspirado, em francês. Nos dois casos ele não apresenta nenhum som. Quando são isoladas, ou quando se encontram no começo de um grupo, as palavras iniciadas por ‘h’ mudo ou aspirado se pronunciam exatamente como uma vogal. Entretanto, a diferença entre os dois ‘h’ aparece quando eles estão no interior de um grupo. Se o ‘h’ é mudo HÁ ‘élision’ ou ‘liaison’ . Exemplos (15a) de l’huile - ‘élision’ (15b) cet homme - ‘liaison’

Se o ‘h’ é aspirado, não há ‘élision’ nem ‘liaison’ .
Exemplos (16a) le | héros (16b) ce(s) | harengs

Apesar de em (15b) e (16b) o ‘h’ ter o mesmo som, a‘liaison’ ocorre em (15b), mas não ocorre em (16b). Por causa dessa diferença, faz-se necessário conhecer as palavras nas quais o ‘h’ é aspirado. Em algumas regiões francesas como Gascogne, Saintonge, Bretagne e sobretudo Lorraine o ‘h’ aspirado é pronunciado com um sopro, como o ‘h’ alemão ou inglês e tal pronúncia “deve ser evitada” (Fouché, 1956). Excepcionalmente, mesmo em francês atual o ‘h’ aspirado se pronuncia com um sopro no caso de exclamações ou de expressão de sentimentos fortes. É o caso dos verbos ‘hurler’ e ‘haïr’. O ‘h’ aspirado ocorre em palavras geralmente estrangeiras, ou afrancesadas, ou que designam localidades, províncias da França, Bélgica, e Suíça Romana, bem como palavras de origem latina e gregas. O ‘h’ aspirado é tratado como uma anomalia do sistema por Carton 1974, já que, segundo ele, somente 65 palavras assim são iniciadas. Na verdade essa lista estaria ligada a 5 pressões:

1-consciência da origem da palavra. Quanto menos integrada à lingua menos se faz a ‘élision’ ou ‘liaison’ . 2-tendência fonética. As palavras iniciadas por ‘h’ aspirado são sentidas como consoantes e não se faz ‘liaison’ com semi-consoantes iniciais.

3-preocupação com a oposição funcional. Para evitar confusão do tipo: L’hippisme ( o esporte) e Le hippysme (o movimento)

4-Necessidade de demarcar voluntariamente palavras pouco comuns ou portadoras de muita informação.

5-Afetividade. Para fazer um acento de insistência evita-se a ‘liaison’ inserindo uma pausa:

(17) J’étais | horripilée, em contextos onde normalmente seria feita uma ‘liaison ’.

Segundo Carton, ‘liaison’ não tem a ver com eufonia; na verdade ela diferencia os registros de língua e assume numerosas funções lingüísticas. Para Katamba 1969, as palavras que começam com ‘h’ aspirado se comportam fonologicamente como se começassem por uma consoante. Segundo ele, um alto grau de abstração em fonologia gerativa tem sido tolerado para capacitar o lingüista a conseguir generalizações. Soluções abstratas não têm sido proibidas. É o caso dos “segmentos fantasmas” (o ‘h’ aspirado seria um deles).

A regra v ∅ / ___+V se aplica para

(18) l’homme / lome /, mas não se aplica para

(19) le héros / l∂ eRo, ou seja, onde há um ‘h’ aspirado a regra acima não é aplicada.

Tem sido proposto na literatura que, apesar de foneticamente as palavras começarem com uma vogal elas deveriam ser consideradas como começando com um segmento abstrato na representação fonológica subjacente que, nestes casos não ocorrem na superfície fonética (Schane, 1968). Outros autores têm sugerido que não é necessário insistir que o som que bloqueia a ‘élision’ seja na verdade um ‘h’. Seria suficiente assumir que há uma consoante não especificada que seria representada pelo traço residual [+ consoante]. Isso seria suficiente para evitar a ‘élision’, bem como para justificar o fato de que o traço [+ consoante], significando abstrato, não pode ocorrer foneticamente.

Fonte: http://cpd1.ufmt.br/meel/arquivos/artigos/214.pdf

3 anos atrás